O torneio, que não acontecia desde 2019 e será jogado no segundo semestre, era um pedido recorrente do próprio Paraná por estar sem calendário nacional. O clube jogou a Série D pela última vez em 2022 e caiu novamente para a Segundona do Campeonato Paranaeste nesta temporada.
Para justificar a desistência, o Tricolor citou a “inviabilidade econômica e estrutural do torneio” e lamentou que a Taça FPF dará vaga para a Copa do Brasil e não para o Brasileirão. A retomada da competição, vale lembrar, estava programada no calendário da Federação Paranaense de Futebol desde novembro do ano passado.
Além disso, o Paraná cita que está “em tratativas envolvendo a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF)”. O grupo em questão é formado por investidores do Brasil e do exterior e negocia a compra de 90% das ações desde março de 2025.
A tratativa da SAF, entretato, tem um grande impasse com os credores da Recuperação Judicial (RJ). Eles ainda não receberam nem um pagamento desde a homologação em setembro de 2023 e rejeitam as propostas de maiores descontos – os atuais variam de 40% a 50%. A primeira parcela, de aproximadamente R$ 20 milhões, foi remanejada para o final de agosto.
Por fim, o Tricolor pede a compreensão da torcida e que entende o anseio do torcedor de acompanhar jogos, mas que tem o “compromisso de construir um Paraná Clube mais sólido, competitivo e à altura da sua história”. Essa diretoria, contudo, foi rebaixada da elite do futebol estadual em duas oportunidades em quatro anos.
Com calendário curto no futebol, o Paraná Clube decidiu apostar em outros esportes para manter a torcida ativa em uma (longa) fase de crise no futebol. De forma terceirizada, o Tricolor possui equipes de futsal, futevôlei, futebol americano e fut7.
O futsal, que disputa o Campeonato Brasileiro, é gerenciada por uma associação. O futevôlei é uma parceria com o Copacabana Sports, centro de treinamento no bairro Capão da Imbuia, em Curitiba. Já no futebol americano, o Tricolor se juntou com o Guardian Saints, uma das principais equipes paranaenses na modalidade. Por fim, no fut7, a equipe treina na sede da Kennedy e participa de torneios estaduais.
De acordo com o balanço financeiro, o Paraná teve prejuízo de R$ 8,4 milhões no ano passado. O clube disputou apenas a Segundona do Campeonato Paranaense, competição vai jogar novamente em 2026 após a queda neste ano.
Já a dívida total subiu de R$ 162,7 milhões para R$ 171,6 milhões.
“O Paraná Clube informa, de forma transparente e respeitosa à sua torcida, que não participará da Taça FPF 2025.
A decisão foi tomada após criteriosa análise de cenário, levando em conta aspectos financeiros, estratégicos e estruturais que envolvem o momento atual da nossa instituição.
Entre os principais fatores estão o atual momento de reconstrução do clube, o andamento das tratativas envolvendo a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e a inviabilidade da competição do ponto de vista econômico e estrutural do torneio — uma vez que a premiação se limita à vaga na Copa do Brasil e não ao Campeonato Brasileiro da série D, o que sempre motivou o clube a se posicionar favoravelmente pela criação da competição, por entender que esse seria um caminho real de valorização técnica e esportiva para os participantes.
Além disso, o jogo da primeira fase da Copa do Brasil, para o eventual vencedor da Taça FPF, seria disputado em fevereiro de 2026, o que exigiria uma antecipação significativa na preparação do elenco, comprometendo todo o cronograma planejado para o ano, visto que o início da temporada profissional do Paraná Clube está previsto para abril de 2026, quando teremos uma estrutura mais robusta, elenco formado e melhores condições de representar dignamente as cores do Tricolor.
Ressaltamos que esta decisão foi tomada com responsabilidade e foco no futuro. Estamos, neste momento, dando um passo atrás, para que possamos planejar melhor o amanhã — e avançar em passos largos rumo ao crescimento sustentável do Paraná Clube.
Entendemos a expectativa do nosso torcedor por ver o time em campo, mas reafirmamos nosso compromisso de construir um Paraná Clube mais sólido, competitivo e à altura da sua história.
Contamos com a compreensão e o apoio da apaixonada Nação Paranista neste momento de reconstrução e seguiremos firmes no propósito de devolver ao nosso clube o protagonismo que sempre mereceu”.